1 - Não farás da tua casa um depósito de animais.
Darás, sim, dignidade para aqueles maltratados e abandonados,
mas procurarás acima de tudo um novo lar para eles.
2 - Lembrarás de doar os animais que tenham chance de ter um lar;
lembrai sempre da finalidade de todo o teu esforço,
que é SALVAR O ANIMAL para que este tenha uma
vida digna e melhor junto a donos responsáveis.
3 - Não ficarás triste quando os animais forem embora
para seu novo lar; lembra-te que como uma mãe ou um pai,
salvastes uma vida para o mundo,
que jamais se esquecerá de ti.
4 - Disseminarás a todos que te cercam a Posse Responsável,
mas também castrarás o maior número de animais que puderes,
por ser a única solução efetiva para o problema do animal abandonado.
5 - Não perderás a tua própria dignidade e individualidade;
lembra-te que se não estiveres são, física e mentalmente,
não poderás cuidar de ninguém.
6 - Não ficarás revoltado contra a humanidade,
afinal existem muitos voluntários de bom coração como vós,
e a maioria das atrocidades são causadas pela ignorância.
Cabe a ti ENSINAR!
7 - Não esquecerás, de forma alguma, que também és um ser vivo
como aqueles a quem tanto te dedicas;
deverás reservar horas de lazer e convívio social só para ti,
para que não continuem difamando
o bom nome dos Protetores de Animais,
confundindo-nos com desajustados sociais.
8 - Reacenderás diariamente a tua chama de voluntário,
aquela que te faz lutar contra todas as adversidades
para atingir os objetivos, que causa tanta admiração
entre os membros de nossa sociedade.
9 - Aproveitarás o dia-a-dia para renovar os teus objetivos,
para que os teus meios não se tornem os teus fins,
afinal não quereis ser parte do problema, mas sim da solução.
10 - Serás feliz, aproveitarás o dom Divino de
ENTENDER E PROTEGER ESSAS
PEQUENAS VIDAS INOCENTES!
Os animais foram
imperfeitos,
compridos de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco se foram
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, vôo.
O gato,
só o gato
apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.
O homem quer ser peixe e pássaro
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato
quer ser só gato
e todo gato é gato
do bigode ao rabo,
do pressentimento à ratazana viva,
da noite até os seus olhos de ouro.
Não há unidade
como ele,
não tem
a lua nem a flor
tal contextura:
é uma coisa só
como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno
firme e sutil é como
a linha da proa
de uma nave.
Os seus olhos amarelos
deixaram uma só
ranhura
para jogara as moedas da noite
Oh pequeno
imperador sem orbe,
conquistador sem pátria
mínimo tigre de salão, nupcial
sultão do céu
das telhas eróticas,
o vento do amor
na imterpérie
reclamas
quando passas
e pousas
quatro pés delicados
no solo,
cheirando,
desconfiando
de todo o terrestre,
porque tudo
é imundo
para o imaculado pé do gato.
Oh fera independente
da casa, arrogante
vestígio da noite,
preguiçoso, ginástico
e alheio,
profundissimo gato,
polícia secreta
dos quartos,
insignia
de um
desaparecido veludo,
certamente não há
enigma
na tua maneira,
talvez não sejas mistério,
todo o mundo sabe de ti e pertence
ao habitante menos misterioso,
talvez todos acreditem,
todos se acreditem donos,
proprietários, tios
de gatos, companheiros,
colegas,
díscipulos ou amigos
do seu gato.
Eu não.
Eu não subscrevo.
Eu não conheço o gato.
Tudo sei, a vida e seu arquipélago,
o mar e a cidade incalcullável,
a botânica,
o gineceu com os seus extrávios,
o pôr e o mesnos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo,
a casaca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro,
o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou na sua indiferença,
os seus olhos tem números de ouro.