"e falta sempre uma coisa, um copo, uma brisa, uma frase... E a vida dói quanto mais se goza, e quanto mais se inventa..." Fernando Pessoa

Quinta-feira, Julho 03, 2003

-- Jeito carioca de ser --
Ivy Wyler

Carioca adora colocar apelidos, né não?
E não pensem que só em pessoas!
Por aqui qualquer coisa ou evento é passível de ser apelidado e magnanimamente!
Ultimamente os inhos, inhas e afins ficam só para o que não nos apraz.
Carioca é mesmo adepto do ão.
As crianças estudam no brizolão, andamos de frescão, caminhamos pelo calçadão, ligamos do orelhão, passamos pelo mergulhão, chegamos ao piranhão e reclamamos do piscinão.
É isso aí, mermão!



comentários




Quarta-feira, Julho 02, 2003

-- Subúrbio --
Ivy Wyler

"São casas simples, com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima
Que é um Lar..."
Lar de Maria, de Hermengarda, de Otília...
Ou Vilas:
Santa Gertrudes, Santa Filomena...
Longe ou perto da linha do trem,
Não importa.
Distante, sim, quase sempre,
Da beira do mar.
No máximo um riozinho,
Desses vagabundos,
Que o que mais dão são mosquitos:
Nunca peixes.
O peixeiro também ficou só na lembrança,
O padeiro, o tripeiro, o pipoqueiro, estão indo pra lá,
Que nem as festas juninas,
Os bailes de carnaval,
Os coretos das praças,
Essas sim quase sempre presentes
- mesmo que abandonadas.
As árvores nas calçadas também escassearam,
Nas casas, algumas resistem.
O bonde ficou perdido,
Como o chapéu de palha,
A saia rodada.
As ruas estão asfaltadas,
Poucas ainda paralelepipedeadas,
Muitas esburacadas.
Os cinemas, quase todos,
Viraram templos
- não de cultura, mas de oração.
Como sempre,
A duras penas,
O subúrbio existe.
E resiste.
Ivy
01/07/03



comentários




Topo | Arquivos
This page is powered by Blogger, the easy way to update your web site. Contador