-- O concurso pra gari da Comlurb --
Não sei que tanto estranhamento causa o tamanho das filas pro concurso de gari: a inscrição é gratuita; a escolaridade é mínima; o salário quase chega ao de uma professora do ensino básico; é emprego público; trabalha-se 6 horas por dia.
Depois, ser gari no Rio tem até a possibilidade de estar nos grandes eventos da cidade: carnaval, reveillon, jogos no Maracanã...
Velhos tempos em que os pais ameaçavam aos filhos: se não estudar, vai ser gari...
-- Desculpas, justificativas e afins :) --
Não é que não ande escrevendo...é que são outras escritas, como essa aí abaixo, pra faculdade, em cima da música :)
Pode ir armando o coreto
E preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando
Põe meia dúzia de Brahma pra gelar
Muda a roupa de cama
Eu tô voltando
Leva o chinelo pra sala de jantar
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar
Pode se perfumar
Porque eu tô voltando
Dá uma geral, faz um bom defumador
Encha a casa de flor
Que eu tô voltando
Pega uma praia aproveita tá calor
Vai pegando uma cor
Que eu tô voltando
Faz um cabelo bonito pra eu notar
Que eu só quero mesmo é despentear
Quero te agarrar
Pode se preparar
Porque eu tô voltando
Põe pra tocar na vitrola aquele som
Estréia uma camisola
Eu tô voltando
Dá folga pra empregada
Manda a criançada pra casa da vó
Que eu tô voltando
Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar
Quero la la iá
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I Leitura da Música:
Nesta letra os compositores relatam a força de alguém que ficou, por algum motivo, impossibilitado de exercer suas funções de cidadão comum, e no fim acaba por conquistar seu espaço novamente.
Podemos representá-la como alguém que passou por uma enfermidade e foi acamado e conseguiu se restabelecer, voltando pra casa; ou como alguém que foi encarcerado devido a seu passado e privado de seus pequenos prazeres.
II Leitura da música:
Os autores mostram uma época nebulosa da história do país em que muitas coisas não eram permitidas. Com a volta da liberdade, a possibilidade de usufruir de tudo aquilo que era proibido, por mais simples que fosse, como uma caminhada, a comida predileta, a música inesquecível. Coisas básicas e fáceis de se obter mas que foram negadas a uma boa parcela de brasileiros.
As perguntas:
1. Os autores retratam um período da história do Brasil. Que período é esse?
R.: A anistia, com a volta dos exilados políticos.
2. De que figuras os autores se valem para reforçar a imagem da cidadania (ou da recuperação dela)?
R.: O direito de ir e vir, de ouvir o que lhe apraz, de exercer sua religiosidade, etc.
Conclusão:
Fora do contexto histórico a música poderia ser aplicada a qualquer situação de retorno. Enquadrando-a, percebe-se o repúdio à ditadura, aos direitos cerceados, mesmo sendo os pequenos prazeres que o cidadão comum deveria ter, só recuperado com a volta dos exilados políticos e com a volta ao estado de direito.
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Verdade, viram? :)
Hoje eu faço aniversário (já brinquei muito se é mais um ano ou menos um). A certeza que tenho, hoje, é de que não estou ficando mais velha, pois para estar mais é preciso já estar.
Sei que é bobagem tudo isso, é um dia comum, como qualquer outro.
O Redentor continuará com os braços abertos, os bondinhos do Pão de Açúcar continuarão a trafegar de lá pra cá, a manhã poderá ter ainda a luminosidade dos dias de maio ou, então, a nebulosidade dos junhos invernosos. O trânsito poderá estar engarrafado e o tráfico livre, a taxa de juros deverá continuar em alta enquanto o dólar está em baixa.
Comemoro cada dia que nasce, com a plenitude de ter sobrevivido a mais um dia, mas hoje é especial. Vou comemorar mais, e por muitos motivos: por ter escolhido esse dia pra nascer, poético por ser véspera do dia dos namorados (apesar do presente ser sempre um só), essa cidade exuberante pra morar, esse signo tão cheio de dualidades que não consigo me ver em outro, essa família tão harmoniosa e bem-humorada, os amigos tão loucos em suas diversidades, e tão fiéis e tão presentes (mesmo distantes).
Ah! E ainda vou ter o privilégio de ouvir o sax de Léo Gandelman ao vivo e a cores!
A vida é feita de escolhas e sinto-me privilegiada por ter feito as escolhas certas.
Tim-tim!