Minha amiga imortal
tutty@nominimo.ibest.com.br
26.Abr.2003
Eleita para a vaga de Evandro Lins e Silva na Academia Brasileira de Letras, Ana Maria Machado ¿ modéstia à parte - já havia se imortalizado em minha vida há muitos anos. Sou jornalista, sonhador e abusado por causa dela, que foi minha primeira chefe, misto de referência profissional, paradigma de mulher inteligente, dura, doce e decidida, enfim, uma espécie de Zuenir Ventura de saia.
Nos conhecemos na Rádio Jornal do Brasil em 1975. Ela era a toda poderosa chefe do Departamento de Radiojornalismo da emissora, eu um candidato impertinente a estágio. Até hoje não sei explicar onde um tijucano enrustido como eu arrumou coragem para todo dia ligar a redação cobrando-lhe minha vaga. Na oitava ou nona vez, pedi desculpas pela insistência e ela, de pronto, me deu não só a chance como a primeira lição de jornalismo: -- Repórter tem que ser assim, chato, persistente... Passe aqui amanhã para começar.
Fui um Ana´s Boy assumido nos cinco ou seis anos que trabalhamos juntos. Época de cobertura do ressurgimento dos movimentos sociais no Brasil pós-chumbo e ainda de muita censura aos meios de comunicação - rádio e TV em especial. Lembro-me de cada decisão tomada por Ana Maria para não se render, pelo menos não sem troco, às ordens repassadas por telefone pelos agentes federais - em geral poucos minutos antes do noticiário mais importante da emissora, o Jornal do Brasil Informa das Seis e Meia.
Ana Maria não desobedecia, driblava "ordens superiores" com toques magistrais de inteligência e cinismo. De tantas decisões inesquecíveis que tomou, lembro especialmente de uma que me injetou forte dose de paixão (por ela, pelo jornalismo, pela liberdade...). Era uma tarde de intensa agitação política nas ruas de todo país em defesa da anistia (ampla, geral e irrestrita). O JBI das Seis e Meia seria todo ele dedicado ao assunto com flashes de repórteres espalhados nas principais capitais brasileiras. Às 17h40, por aí, chegou o comunicado da Censura proibindo a divulgação de qualquer notícia a respeito. O silêncio apoplético que tomou conta da redação, foi cortado pela voz firme e animada de Ana Maria: "Corram para o estúdio e mandem cortar da fala de cada repórter, sem qualquer sutileza técnica, estritamente o que nos mandam. Que tudo fique mal-feito, picotado, grosseiro para que o ouvinte perceba o que está acontecendo." Produzimos um noticiário sem pé nem cabeça, sujo, uma afronta aos ouvidos de quem conhecia o padrão de qualidade do radiojornalismo da JB naquela época. Todo mundo entendeu.
Quantas vezes não fui para rua cobrir fatos previamente censurados. Ana Maria nos mandava fazer a reportagem como se a proibição não existisse. De volta à redação, o material era editado e arquivado. Dava-se à Censura o poder de proibir a veiculação da notícia. A notícia, em si, ninguém nos proibia de fazer, e nós fazíamos. (Que diabos o Jornal do Brasil terá feito desse material catalogado como coleção de preciosidades pelo pesquisador e músico Dalmo Medeiros, que também não sei mais onde anda?)
É claro que minha admiração por Ana Maria Machado, no fervor dos meus vinte e poucos anos, não se resumia à cabeça da chefe. Ana Maria tinha um colo maravilhoso, além de braços imensos e uma voz, meu Deus, que voz era aquela? Ah, como eu adorava ouvir fofocas sobre nós, embora nunca tivesse feito jus a elas. Eu era, como já disse, um bobão tijucano.
Não sou mais por causa de Ana Maria. Foi ela que me ensinou como as mulheres devem ser tratadas. Foi ela que me apresentou ao meu primeiro casamento. Foi ela que escreveu os primeiros livros que li para meus filhos (a mais velha fez dia desses 20 anos). Foi ela que me ensinou que jornalismo só pode ser feito com prazer. Foi ela que me mostrou como somos capazes de fazer outras coisas (fui dono de bar, produtor de teatro, só mais recentemente virei gaiato).
Ano passado -- ou teria sido o retrasado? -, mil anos sem vê-la, fiz um jantar em família para ela. Amei o reencontro, mas acho que não consegui dizer nem metade do quanto ela era importante na minha vida. Ontem, quando soube que os cabeças-duras dos imortais enfim celebraram com seus votos o que eu já sabia há tanto tempo, senti uma alegria dessas que só um bobão tijucano é capaz de sentir. Aí decidi: chegou a hora de falar bem de alguém. Da primeira Ana Maria Machado a gente nunca esquece. Ainda mais agora que ela é imortal para todo mundo.
Aquela sensação de bem-estar que se sente enquanto um pedaço de chocolate é
degustado não tem como única explicação o sabor delicioso do doce.
"Ingredientes da massa de cacau são psicoativos e detonam certas reações
químicas no cérebro", explica o neurologista Márcio Klausse.
Entre esses ingredientes está a feniletilamina. Alguns estudos indicam que,
quando estamos apaixonados, o cérebro é estimulado a produzir a substância.
Já em caso de uma desilusão amorosa, por exemplo, sua queda é acentuada. Por
isso, é comum a pessoa abandonada devorar uma caixa de bombons para
compensar a carência.
A feniletilamina age também estimulando a produção de serotonina no cérebro.
Substâncias como o açúcar também fazem isso. Conhecida como a 'molécula da
felicidade', a serotonina atua numa área relacionada com as emoções -
promovendo bem-estar e aliviando a tensão. "Níveis abaixo do normal dessa
substância podem detonar depressão, insônia e ansiedade", diz Klausse. "Isso
explica porque pessoas que apresentam alguns distúrbios emocionais não
costumam economizar nas doses de chocolate e comem freqüentemente mais de
duas barras por dia."
Fonte: "Estadão" 20/04/03
Não quero a realidade. Não quero Carandiru nem Cidade de Deus. Não quero Godard nem Bergman. Não quero ler Wittgenstein e Kant. Pouco me interessa Saddam Hussein, Bush e Osama Bin Laden. Quero de volta a minha imaginação. O valor das pequenas coisas, desde a Wimmi com pastel de queijo, passando pelos tubos de ensaio da Bond Carneiro, pelo Capitão Gay do Jô Soares, o pluct, plact, zum que não vai a lugar nenhum, a minha BMX Monark, o autorama que nunca tive, a guerra de mamona; e chegando até o limite disso tudo, que é Luan & Vanessa cantando um amor sofrido de crianças impúberes. Não quero a realidade; quero a imaginação de estar nadando mar adentro rumo à África, de achar que a amizade e o amor são eternos, de acreditar que a polícia está à minha cata só porque eu derrubei um pote de doce de leite no supermercado.
Quero chorar de novo vendo Os Trapalhões. Semana que vem talvez eu assista a Os Trapalhões na Serra Pelada. Não quero Sebastião Salgado; quero Os Trapalhões descobrindo um veio de ouro. Nada de interpretações sociológicas ou políticas para o filme. Nada disso.
Quero só imaginar que houve um tempo em que éramos cúmplices da vida que vivíamos; e não seus exegetas.
O Príncipe e a Rosa
Por: Daniel Caetano, 16 de Abril de 2003
Hoje aconteceu mais uma daquelas coisas estranhas que fazem a gente feliz por estar vivo (pelo menos a mim!).
Estava eu parado num semáforo de uma ruelinha que passo todos os dias para vir para minha casa, e costumo ficar parado ali uns 5 a 6 minutos desde que entro na tal ruelinha até o momento em que saio (o tráfego alí é grande). Hoje estava até um pouco mais atravancado.
Estava ouvindo calmamente meu rádio e qual não foi a minha surpresa quando, meio que do nada... aparece uma criança, um garotinho loirinho de uns 5 anos, com uma rosa vermelha nas mãos.
-Quer, tio?
-Hã?! - respondi meio sem entender nada.
-É, toma. Não tem que pagar nada. Eu ganhei alí na outra rua, e queria dar para alguém.
Já admirado com o que via - e lembrando-me de Saint-Exupéry - olhei bem para o pequeno garoto e disse:
-E por que deseja me dar uma rosa?
-Por que todo mundo merece ficar feliz. Eu fiquei feliz quando ganhei, e quero que alguém fique feliz também!
Ainda mais espantado com essa resposta, disse:
-Sim... é para isso que servem os presentes... Para agradar as pessoas... Mas também servem para dizer a alguém o quanto é especial para nós... Será que não existe para você ninguém mais especial para presentear?
Respondendo-me apenas com um sorriso, virou as costas e correu para dentro de uma loja, onde estendeu a rosa a uma mulher que comprava alguma coisa, que pela reação dela só pude concluir se tratar de sua mãe.
O que poderia me fazer mais feliz por estar vivo?
É por isso (também) que adoro crianças...
Ainda existe esperança...
-- Feriadão -- O ócio contra o crime
Tutty Vasquez
18.Abr.2003
Os baianos devem estar morrendo de inveja: o carioca vai emendar a Semana Santa na Semana Santo. Até o Dia de São Jorge, feriado municipal da próxima quarta-feira, ninguém faz nada no Rio de Janeiro, já que na terça, ponto facultativo, a cidade vai funcionar como naqueles dias em que o tráfico manda fechar tudo. Meia bomba total.
Ponto facultativo é, nesse sentido, uma oportunidade que o poder público tem para mostrar ao crime organizado que é dele a prerrogativa de fechar o que bem entender. A decisão de enforcar a terça-feira, entre as efemérides de Tiradentes e São Jorge, é do prefeito César Maia, que, com R$ 1,8 bilhão em caixa, não vê motivo para tanto dia útil no calendário da cidade.
Folga igual, nem no Carnaval. Na noite de quinta-feira, o carioca já ensaiava nos bares o samba do feriadão doido. Depois do quinto chope, falava-se no Baixo Gávea em enforcamento de Cristo, malhação de Tiradentes, ressurreição de São Jorge e no incrível cavalo branco de Judas. Alguém no balcão do Hipódromo jurava que o coelho de Páscoa estava no cardápio da última ceia?
Aqui um parênteses para ninguém pensar que essas coisas só acontecem no Rio de Janeiro. Certa vez, a Folha de S. Paulo deu a seguinte errata: ¿Ao contrário do que foi dito na edição de ontem, Jesus não se enforcou. Foi crucificado.¿ Fecha parênteses.
Como falar bobagem é a maior diversão do carioca, César Maia pretende incrementar o calendário do ócio ¿ indispensável para este tipo de lazer - com novos feriados e pontos facultativos, alguns deles já bem encaminhados. Vem aí a folga do Dia dos Evangélicos, por exemplo. Para fazer média com os católicos, o prefeito deve arrumar um jeito de também homenagear seu santo protetor, o meu querido Menininho Jesus de Praga.
Bons motivos para não se trabalhar ¿ ou estudar - não faltam na cidade. Não sei se já existe Dia da Ex-Mulher, mas é o tipo de data que merece um feriadão depois que Valéria Santos mandou, com um único depoimento sobre seu ex-marido, oito fiscais de renda da CPI do Propinoduto para a cadeia.
Pobre crime organizado! Vai ter que mudar de tática para continuar aterrorizando o Rio de Janeiro. Não faz sentido mandar ordens para fechar o comércio e as escolas com tantos feriados e pontos facultativos pela frente. Corre à boca pequena nas bocas de fumo da cidade a idéia de mandar abrir o que o poder público mandar fechar. Só então saberemos quem manda de fato na boa vida dos cariocas.
tutty@nominimo.ibest.com.br
Livro de Virginia Woolf vira fenômeno de vendas
Fausto Oliveira
Mrs. Dalloway, livro base do filme As Horas, teve 10 mil exemplares vendidos entre março e abril, metade do que foi vendido em duas décadas
São Paulo - Em 20 anos no Brasil, de 1980 a 2000, um dos livros mais conhecidos da inglesa Virginia Woolf vendeu 20 mil exemplares. Mas bastou o livro aparecer na tela do cinema, escrito por uma irreconhecível Nicole Kidman no papel de Virginia, que os leitores brasileiros compraram em menos de um mês a metade do que foi vendido em duas décadas. Mrs. Dalloway, livro base do filme As Horas, teve 10 mil exemplares vendidos entre março e abril.
Ainda é possível encontrar um exemplar nas livrarias, mas já está difícil. A editora Nova Fronteira, que publica o livro no País, já encomendou uma nova tiragem e até esta quarta-feira mais cinco mil exemplares de Mrs. Dalloway devem ser impressos e distribuídos às livrarias. Na livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, o livro custa R$ 24. A loja ainda tem o livro, mas os vendedores recomendam que se faça reserva.
Virginia Woolf escreveu Mrs. Dalloway em 1925. É a história de um dia de uma dona de casa, Clarissa Dalloway. Neste dia, em junho de 1923, ela dará uma festa, mas o reencontro com um amor antigo desperta na senhora Dalloway dúvidas e questões a respeito de si mesma e do seu passado. Uma história que quem viu As Horas conhece bem.
PARA VOCÊ ESTAR PASSANDO ADIANTE
Por Ricardo Freire
Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando e
possa estar deixando discretamente sobre a mesa de alguém que não consiga
estar falando sem estar espalhando essa praga terrível da comunicação
moderna, o gerundismo.
Você pode também estar passando por fax, estar mandando pelo correio ou
estar enviando pela Internet. O importante é estar garantindo que a pessoa
em questão vá estar recebendo esta mensagem, de modo que ela possa estar
lendo e, quem sabe, consiga até mesmo estar se dando conta da maneira como
tudo o que ela costuma estar falando deve estar soando nos ouvidos de quem
precisa estar escutando.
Sinta-se livre para estar fazendo tantas cópias quantas você vá estar
achando necessárias, de modo a estar atingindo o maior número de pessoas
infectadas por esta epidemia de transmissão oral.
Mais do que estar repreendendo ou estar caçoando, o objetivo deste movimento
é estar fazendo com que esteja caindo a ficha nas pessoas que costumam estar
falando desse jeito sem estar percebendo.
Nós temos que estar nos unindo para estar mostrando a nossos interlocutores
que, sim!, pode estar existindo uma maneira de estar aprendendo a estar
parando de estar falando desse jeito.
Até porque, caso contrário, todos nós vamos estar sendo obrigados a estar
emigrando para algum lugar onde não vão estar nos obrigando a estar ouvindo
frases assim o dia inteirinho.
Sinceramente: nossa paciência está estando a ponto de estar estourando. O
próximo "Eu vou estar transferindo a sua ligação" que eu vá estar ouvindo
pode estar provocando alguma reação violenta da minha parte. Eu não vou
estar me responsabilizando pelos meus atos.
As pessoas precisam estar entendendo a maneira como esse vício maldito
conseguiu estar entrando na linguagem do dia-a-dia.
Tudo começou a estar acontecendo quando alguém precisou estar traduzindo
manuais de atendimento por telemarketing. Daí a estar pensando que "We'll
be sending it tomorrow" possa estar tendo o mesmo significado que "Nós
vamos estar mandando isso amanhã" acabou por estar sendo só um passo.
Pouco a pouco a coisa deixou de estar acontecendo apenas no âmbito dos
atendentes de telemarketing para estar ganhando os escritórios. Todo mundo
passou a estar marcando reuniões, a estar considerando pedidos e a estar
retornando ligações.
A gravidade da situação só começou a estar se evidenciando quando o diálogo
mais coloquial demonstrou estar sendo invadido inapelavelmente pelo
gerundismo.
A primeira pessoa que inventou de estar falando "Eu vou tá pensando no seu
caso" sem querer acabou por estar escancarando uma porta para essa
infelicidade lingüística estar se instalando nas ruas e estar entrando em
nossas vidas.
Você certamente já deve ter estado estando a estar ouvindo coisas como "O
que cê vai tá fazendo domingo?", ou "Quando que cê vai tá viajando pra
praia?", ou "Me espera, que eu vou tá te ligando assim que eu chegar em
casa".
Caramba! O que a gente pode tá fazendo pra que as pessoas tejam entendendo
o que esse negócio pode tá provocando no cérebro das novas gerações? A
única solução vai estar sendo submeter o gerundismo à mesma campanha de
desmoralização à qual precisaram estar sendo expostos seus coleguinhas
contagiosos, como o "a nível de", o "enquanto", o "pra se ter uma idéia" e
outros menos votados. A nível de linguagem, enquanto pessoa, o que você
acha de tá insistindo em tá falando desse jeito?
As perguntas vêm de tua cabeça.
As respostas, de teu coração.
Pensa. Mas sente. O ar é leve.
Um vôo se oferece à tua mente.
Um pouso ao teu sentimento.
Sei de ti tanto quanto sabes de mim.
Escreves, leio-te. Admirada mirada.
Tudo tão comigo há muito. E cheguei
agora para te saudar em nome do silêncio.
Tuas palavras me conduzem a ti. E vou.
Diante de tua luz me acrescento brilho.
Um raio apenas do sol que és em meus dias.
Aqui estou para te revelar como és.
A menina no reino de haveres mágicos.
A moça contemplativa em um mar maior.
A mulher serena segredando doçuras.
Tão minha por seres livre, longe longe.
Tão livre por seres minha, bem aqui.
És a feminilidade instintiva de meu faro.
Teu cheiro me atrai a essa distância.
Estou cativo, ó liberdade. Agora me tens.
És imensa -- amor de bela grandeza.
Por que te amedrontas se tens o domínio,
se és a força, a proteção de meus sonhos
há muito teus, perdidos em ti, por ti,
mas guardados comigo, sem perturbações?
Sou tão simples para merecer-te. Tão simples.
Nem sei como me revelei -- quanta coragem.
Será porque tirei por um segundo a couraça?
Ou porque por um lapso me vi super eu?
Confessei-me para não te decepcionar.
Afinal, como pode um sentir lindo assim
ficar silenciado enquanto buscas um amor?
Não te sonho minha para não te perder.
Também tenho meus temores, tu bem o sabes.
Temo ser incapaz da verdade perfeita.
Temo a impossibilidade das primaveras
que hão de florir em tua alma calma
enquanto me tiveres para teu descanso,
que tua cabeça curiosa e questionadora
torna exausta tua confiante simplicidade.
Sê simples que assim me tens todo sempre.
Sê simples para que diante de ti o mar --
esse minúsculo criado -- não se atormente,
porque também o mar se questiona demais.
Não vês o precipitar de suas ondas revoltas?
Sê simples, meu mar sereno, meu amor
infinitamente simples, sem culpa da conquista,
pois me tornei teu sem que o soubesses,
sem pedir-te permissão para doar-me.
Meu mar maior, evita os rochedos da dúvida,
ondule lúcida na confiança de tua intuição,
tua busca não permite margens, ainda que praias
de areias reluzentes. Sou apenas teu, sem requerer
de ti a recíproca da esperança. Apenas sê simples.
Sê calma, mansa musa. Deixa-me ir por ti, meu mar
de amor. Meu coração um barco de velas azuis.
Ah, marítima criatura, só te peço a navegação
pela imensidão de tua natureza mulher. Sê simples.
Que tudo o mais cabe num singelo barco...